Destino e livre-arbítrio na astrologia
Astra inclinant, non necessitant — os astros inclinam, não obrigam. A frase costuma ler-se como uma evasiva cortês. É outra coisa: uma descrição exacta daquilo que a técnica dá.
De onde vem a frase?
Da disputa escolástica da Idade Média. A pergunta teológica era precisa: se um horóscopo prevê o que uma pessoa vai fazer, a sua vontade ainda é livre?
A resposta que se impôs vem de Tomás de Aquino e distingue: os astros actuam sobre o corpo e, com isso, sobre as inclinações; a vontade é livre de agir contra as suas inclinações. Assim, uma prática astrológica tornava-se compatível com a ortodoxia.
Porque é que isto é tecnicamente correcto?
É aqui que está o ponto que salva a fórmula de se reduzir a um apaziguamento.
Um horóscopo mostra condições, não acções. Diz quando uma área da vida está favorável, que disposição existe, onde alguma coisa aguenta e onde não. Não diz que alguém vai agir.
Quem tem no horóscopo todos os testemunhos de sucesso e não faz nada não tem sucesso. Nenhum autor tradicional acharia isso surpreendente — e a fórmula descreve exactamente essa distância entre a disposição e o acto.
A acusação de determinismo
Não atinge a astrologia clássica e mesmo assim é feita com regularidade — quase sempre por representantes das correntes modernas contra a tradicional.
Assenta numa confusão. A técnica antiga é mais determinada naquilo que afirma: diz que um planeta não consegue dar alguma coisa, onde uma leitura mais moderna falaria de possibilidades de desenvolvimento. Mas uma afirmação determinada não é o mesmo que um determinismo das coisas.
Dizer «esta Vénus não consegue cumprir o que promete» é uma afirmação sobre uma capacidade, não sobre um destino — e é mais útil ao consulente do que a garantia de que tudo é possível.
Onde está realmente o limite?
Não entre destino e liberdade, mas entre aquilo que uma técnica pode mostrar e aquilo que não mostra. Um horóscopo não conhece decisões, nem nomes, nem datas. Manter este limite é mais importante do que qualquer tomada de posição sobre o livre-arbítrio.
Ver também: o horóscopo pessoal, as qualidades de tempo.