Porque é que os signos do zodíaco se prestam a tudo?
Há listas por signo do zodíaco para a roupa interior, para os animais de estimação, para os destinos de férias, para os tipos de café. Funcionam todas, e vale a pena perceber porquê — pois a razão diz algo sobre os limites da astrologia popular.
O procedimento
Toma-se um domínio qualquer com variantes suficientes. Distribuem-se os doze signos de modo que os clichés mais grosseiros encaixem: ao Carneiro o que dá nas vistas, ao Touro o que é confortável, à Virgem o que é arrumado, ao Escorpião o que é sombrio.
O resultado parece coerente. Parece sempre coerente, seja qual for o domínio.
Porque é que funciona sempre?
Duas razões, e ambas estão bem estudadas.
A atribuição não é verificável. Não há maneira de determinar se o vermelho pertence mesmo ao Carneiro. Uma afirmação que não pode ser falsa nunca parece falsa.
As descrições são suficientemente amplas. «Gostam do conforto, mas nas ocasiões especiais também pode ser algo mais elaborado» aplica-se a quase toda a gente. É o efeito Barnum, e é ele que sustenta todo o género. Ver porque é que uma interpretação parece certeira.
O que isto tem que ver com a astrologia
Menos do que o nome sugere — e é esse o ponto.
Listas destas usam apenas o signo solar, ou seja, a posição de um único planeta, sem ascendente, sem casas, sem a condição de nenhum planeta. Do ofício astrológico não empregam rigorosamente nada além dos doze nomes.
Não é motivo para indignação — é entretenimento e, como tal, inofensivo. É, isso sim, motivo para não as tomar por prova, em nenhuma das duas direcções: que uma lista de roupa interior não acerte diz tão pouco sobre a astrologia como o facto de acertar.
O horóscopo pessoal diz o que a técnica dá realmente — e diz também o que ela não dá.